Carros de volume não necessariamente são os mais rentáveis e a meta global da Renault é ter rentabilidade de 5% até 2025. E essa busca por rentabilidade também vale para as operações no Brasil.
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Some a isso a crise dos semicondutores e a perspectiva de queda nas vendas de compactos e você terá os principais motivos que pesaram no cancelamento dos projetos XJF – a nova geração de Logan, Sandero e Stepway no Brasil. A apuração foi feita em parceria com o site Autos Segredos.
QUATRO RODAS acompanhava a evolução do projeto no Brasil há um ano, desde que a nova geração dos compactos, agora baseados na plataforma CMF-B, foi revelada pela Dacia, braço romeno da Renault.
Àquela altura, pessoas próximas ao projeto adiantavam que eles estavam avançados, mas não aprovados pela matriz. E que a aprovação só acontecia, geralmente, quando o projeto já estava 80% completo. Pelo visto quase tudo foi perdido.
O que a Renault já havia decidido é que os novos Sandero e Logan não seriam fabricados na Argentina. Agora, com a nova decisão tomada por ordem da matriz, na França, os novos hatch e sedã compactos não serão fabricados nem no Brasil, nem na Colômbia. Isso pelos próximos três anos, pelo menos.
Sandero e Logan não saem de linha
A Renault claramente “tirou o pé” da dupla Sandero e Logan. Desde o início da pandemia ambos passaram por um enxugamento da gama de versões, o que custou as opções mais caras com motor 1.6, câmbio CVT e itens mais sofisticados. O Sandero nem sequer tem opção 1.6 hoje.
Contudo, o cancelamento da nova geração dos compactos para o Brasil não representa a morte deles. Tanto o Logan quanto o Sandero seguirão em produção no Brasil pelo menos até 2024, quando novas regras de segurança passam a valer.
Prova disso é que nas próximas semanas começará a chegar aos concessionários o Sandero R.S. 2022 com o motor 2.0 aspirado adequado às novas regulações do Proconve L7, que trata das normas de emissões. O lado delicado é que um novo mapa de injeção pode custar alguns dos 150 cv do hatch esportivo.
Renault vai apostar em novos SUVs
A estratégia da fabricante francesa será completar sua gama de SUVs, com uma opção abaixo do Duster e outra acima do Captur.
O menor deles QUATRO RODAS já havia antecipado. Trata-se do Projeto HJF, um SUV compacto (B-SUV) exclusivo para mercados da América do Sul. Este carro, sim, será baseado na nova plataforma CMF-B, mas terá carroceria e estilo completamente diferentes do novo Dacia Sandero. Por sinal, seria o substituto natural para o Stepway.
Contudo, ainda será um carro menor que Duster e Captur, que sempre se destacaram pelo tamanho no segmento. A intenção da Renault é clara: preparar uma resposta para o Fiat Pulse que será lançado até o fim de 2021, e para o possível novo SUV de entrada da VW.
Vale reforçar que o B-SUV não é o Kiger, o SUV derivado do Kwid, ou o Triber, sua minivan. Esses carros são exclusivos para a Índia e não estão previstos para o Brasil. Nem sequer há projeto deles por aqui.
Não à toa, caberá ao Renault B-SUV estrear o conjunto mecânico formado pelo novo motor 1.0 turbo flex e pelo câmbio automático CVT. Este motor, inclusive, será fabricado no Brasil. O mesmo acontecerá com o motor 1.3 TCe de 170 cv que estreou no Captur 2022. Atualmente este motor é importado da Espanha.
O outro carro é o Projeto X1312, o C-SUV. Trata-se de um SUV médio com sete lugares, que será, basicamente, uma versão Renault do Dacia Bigster. O novo SUV médio tem 4,6 m de comprimento (quase 17 cm a menos que o Jeep Commander) também será baseado na plataforma CMF-B, da Aliança Renault-Nissan
O carro foi anunciado globalmente durante a apresentação do plano Renaulution, que traçou os novos rumos da Renault.
O protótipo apresentado pela fabricante também insinua como será a próxima geração do Duster, que está prevista para 2024.
Um dos destaques do Bigster, pelo menos na Europa, será a oferta de mecânica híbrida. Seria a combinação do motor 1.2 TCe de três cilindros funcionando em ciclo Atkinson, em diversos níveis de potências e tipos de hibridização, com direito ao sistema E-TECH, para melhorar a eficiência do SUV de 4,6 metros de comprimento.
Os dois carros chegariam às concessionárias brasileiras até 2024. A Renault nem sequer anunciou um plano de investimento para eles. O investimento em curso hoje no Brasil é de R$ 1,1 bilhão e contempla desde o Captur 2022, já lançado, quanto a atualização da picape Oroch para a linha 2023 e a reestilização do Renault Kwid.
Ao todo, o plano prevê cinco novidades até meados de 2022, além do novo Zoe.